Você sabe o que significa Nigga?

Hoje o assunto é um pouco mais pesado, porém super necessário, e de muita utilidade pública. Levando em conta que uma das palavras em questão virou “moda”. Mas antes de explicar aonde eu vou chegar, quero fazer umas perguntinhas, e você é quem vai concluir algo, com base nas respostas que você mesmo der:

Já ouviu alguém dizendo a palavra “nigga”?

Você já falou “nigga”?

Você sabe o que significa? Se sim, sabe o porque da palavra?

Eu imagino que a maioria respondeu “SIM” para as duas primeiras perguntas. E creio que “NÃO” para a última. Eu disse: “imagino que a maioria”, ok?! Isso porque de dez pessoas que eu conversei, só uma respondeu que “sim” para a última questão.

Bem, agora eu vou responder algumas perguntas:

Qualquer pessoa pode falar “nigga” certo? Afinal é só uma gíria.

Não, não pode! Principalmente se você não for negro.

Ok, então eu negro e brasileiro posso usar a palavra, certo?

Sinceramente? NÃO! E o problema não é pessoal com os brasileiros. Você poderia ser mexicano, britânico, turco, ou de marte. Se você não é um norte-americano, não tem porque usar a palavra.

Aaaaah tá, entendi agora. Só os norte-americanos podem falar “nigga”?

Mais ou menos isso. Poder, pode! Mas não significa que é o certo a se fazer.

Tá confuso ainda né? Bom eu vou tentar ser o mais simples e direta possível.

Nigga originou-se da palavra nigger. Nigger nada mais era do que uma forma pejorativa de se referir aos escravos africanos que chegavam nos Estados Unidos. Era usando esse termo que os “senhores” colocavam os escravos em uma posição de sub-humanos, brutos desprovidos de intelecto respeitável, animais, enfim.

Então, aonde entra “nigga” nessa história, e porque se tornou uma palavra tão frequente em músicas de rappers norte-americanos e em filmes?

Bom, lá pelos anos 50 alguns jovens negros adaptaram a palavra de uma forma que mudasse o significado e perdesse aquele peso, diminuindo assim o poder branco. Se tornou uma forma de cumprimento entre negros, mas nunca falada na frente de brancos. Seria tipo um “meu irmão”, “meu parceiro”.

E de lá pra cá tem se tornado uma prática mais comum, tanto que eu poderia citar dezenas de músicas que carregam essa palavra na letra, ou no próprio nome. Mas não é porque está nas músicas que significa que é aceitável por todos.

Na maioria, a comunidade negra discorda do uso da palavra, e não acreditam que mudar a escrita e o “significado” altere o impacto real causado. Até porque é uma palavra originada de outra. Tanto que atualmente na comunidade Afro-Americana, á uma mobilização, para obrigar as instâncias superiores do país, a classificarem esta palavra como ‘Hate word’ (palavra que excita ao ódio) para fazer com que alguém que fosse ouvido replicando o termo, seja punido judicialmente.

Assistam esse vídeo para entender melhor na visão de quem vive isso todos os dias!

Em uma determinada parte do vídeo uma das norte-americanas entrevistadas passa um recado para os brasileiros: “Apenas em um nível básico. Se é um termo carinhoso entre as pessoas da mesma cultura; e você não é dessa cultura, então não é realmente para você fazer. A segunda coisa para colocar em perspectiva, é pensar em qualquer termo ruim que é usado em relação a você com base em sua identidade racial ou de fundo cultural. Compará-lo com alguém chamando-lhe disso, mas fazê-lo com um sorriso em seu rosto, mesmo você sabendo que é ofensivo, como você se sentiria?”.

Agora falando do nosso país, nossa cultura, nossa língua… Você acharia normal se referir a um negro como macaco, crioulo ou escravo? Então não tem porque achar cool usar a palavra “nigga” só porque nós temos o infeliz costume de americanizar tudo.

No filme “Coache Carter”  Um Treino pra Vida, o personagem do Samuel L. Jackson repreende os seus alunos por usarem o termo “nigga”, que no filme traduzido aparece “crioulo”.

“Nigga é um termo que denigre, usado para xingar nossos ancestrais. Se fosse um branco que chamasse você assim, já ia partir pra briga. Se usar o termo, vai ensiná-los a usar, e está dizendo que é aceitável, mas não é aceitável! E quando estiverem perto de mim eu não quero ouvir isso.”

Vou ser hipócrita e dizer que nunca usei o termo? Não! Porque usei sim, e diversas vezes. E não usa-lá hoje, e fazer minha parte em explicar o porque não devemos propagar algo desse tipo, faz parte da minha desconstrução. E espero que da sua também! Porque não temos nada a perder mudando algumas atitudes e tendo um maior conhecimento das coisas que nos rodeiam.

Tem alguma dúvida sobre algo, alguém, alguma palavra, qualquer coisa?! Então pesquise sobre, estude, leia, releia, quantas vezes for necessário para ter a certeza de que você não faz parte de uma roda gigante que vai de nenhum lugar a lugar algum.

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